quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Entrevista

Então quando me dei conta estava numa sala com um estranho. Me disse que era jornalista e era uma grande honra ouvir minhas humildes palavras ( pasmem). Após três amargos cafés ele resolveu mostra sua mascara e afogou me com tantas perguntas, claro que a maioria respondi como se não me fossem realmente perguntas. Então ele me disse: Mas o que acha da vida? Olhei pro chão que estava sujo com farelos de biscoitos, olhei pro relógio, que estava sem pilhas, mas principalmente, olhei para aquele rosto mesquinho e agocentrico que já estava com caneta em mãos somente esperando o que eu iria falar. Então disparei com essa, Meu caro da vida não acho nada. O que sei é que somos apenas peixes. Cabe a cada um se faz do seu caminho mar ou oceano. Após esse dia nunca mais vi o sujeito. Dizem que mudou de emprego, mas eu continuo vendo iscas em meu quintal.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Verão e Inverno

Quando chove é alegria
Quando chove é inundação
Por aqui nunca esfria
Aqui casaco é todo dia

Meu céu tem estrelas
A via-láctea só vi em livros
A luz acaba a Lua clareia
Se escurecer nem percebo

Só tenho um vestido
Preciso comprar outro blazer
Na praça estam apenas as folhas
O bar esta cheio

Mês que vem me caso
A vida é fúlgais para matrimonio
Tomara que ele volte
São todos iguais

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Para dias comuns

Pegue duas doses de intolerância
E misture com bom senso perdido
Não se esqueça de adicionar inveja após um riso esquecido
Deixe de molho por uns minutos
E logo após umas pitadas de qualquer esperança
Levar ao fogo alto ou o que tiver de chama
Sal a gosto

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A Casa




Na casa
Tem cadeira
Tem janela
Um retrato
vidas em outras vidas
Pedaços de primavera

Tem paredes
Ah, as paredes
Se falassem, ditas cujas
Gritariam aos montes
Das cenas que já testemunhou
Por entre suas tintas e cimento

Sinos a badalar
Coração dilacerado
Enganado ferido cansado
Surge outros toques
Cheiros se espalham

Quem casa
Tem casa
Tem um caso
Para um acaso
Ate que a morte os separe


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Duas vidas



Francisco
Menino que pula e brinca
Se esconde e quebra brinquedos

Fernanda
Pega a boneca e brinca com os pincéis
Mexe as tranças e canta feliz

Mais alto
Pixote
Vira o copo e veste a farda
Jura voltar com cinco estrelas
Orgulho da família

Formada
Esbelta
Levanta a mão e sobe as escadas
Olha o relógio
E corre para não se atrasar

Cansado
Tira a gravata e beija a esposa
O jornal e seu leite
Troca umas palavras e dorme
Casada
Abraças as crianças
Promete que volta pro jantar
E parte para mais um plantão

domingo, 18 de outubro de 2009

Desabafo para o Tédio

O que espero
Dos dias que me acompanham
Do que se espera
Das próprias pessoas
Uma falsa modéstia
Melhor passar adiante

Tudo passa
Ate mesmo essas palavras
Que percorrem essas linhas
Passam
Mas não esperam

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Traquinagens




Se assim fosse
Tomava suco de caju
Subiria no pé de goiaba
Pulava o dia inteiro
Cabularia aula pra pescar
E com o troco do pão
Te daria um beijo e um doce