domingo, 1 de maio de 2011

O Bolo (ou cenas de um Aniversário)


A casa há poucas horas atrás tinha só três, agora esta rodeada delas: crianças de quase toda a vizinhança para festejar o acontecimento do dia: o aniversário de Silvana, a filha mais
nova daquela família suburbana. É a data mais esperada do ano, fora as férias, o aniversario.  

A casa  estava enfeitada, e como todo aniversário infantil que se preze, tinha que ter um tema. Dessa vez , era a branca de neve. Na mesa alem dos tradicionais docinhos, brigadeiros, também havia maças, pois que festa seria essa que falava da branca de neve e não tinha maça? Silvana, a aniversariante, estava vestida de branca de Neve ( claro, que festa seria essa que tem tema de contos de fada se a menina não estivesse vestida como tal? ). E como ela chora! Seu  Pedro, pai da dita cuja , já devia estar preocupado com a birra ilógica feminina precoce da filha, mas isso é a ultima coisa que vem em sua mente, pois ele estava um pouco ocupado agora, pra ser mais preciso, ele esta trocando beijos e juras de amor com sua prima Maria ( ah, sempre as primas !).


Entre os convidados estava quase toda sua turma da escola: Julia , Suzana, Bruna de Souza, Fernanda , Ana  Maria, Maria Eugenia, Cristina Moreira, Sabrina ( a filha do deputado),  Tessia ( a gordinha da sala), Elissandra. Todas praticamente de celulares e com suas musicas bobas de Sempre. E os garotos? Estavam la também, mas entenda que eles nascem cada vez menos, perdendo empregos pra elas.Cada dia que se passa, nasce mais garotas. E os garotos? Bem eles ainda esperam vencer a batalha na chegada do útero e trazer a alegria e honra para sua família e ao mundo . Um pai qualquer em um lugar do mundo olha para o ultrasom e fala para si mesmo: que seja um garoto, que seja um garoto. Esperança meu bom homem, esperança. Mães querem ter filhas para lhe ensinarem como ser bem sucedida e vencer esse mundo machista e capitalista injusto, que oprime as inocentes e doces mulheres e acabarem com os corações dos homens. Pais querem ter um filho para  jogar futebol nos finais de semana com ele, perder dele no vídeo game que ele pediu durante o ano todo, e lhe ensinar os valores, pois o que é um homem sem os seus valores?

Como todos as festas ,a regra de sempre: Meninos de um lado, meninas de outro, mas isso não impedia de ambos se misturarem as vezes. Ainda na infância se tem amabilidade e  uma certa inocência na pessoas, por enquanto. Toca-se uma musica do momento. Todas as crianças correm por toda a casa. Pulam no sofá e gritam sem parar- Meu Deus, Acabei de limpar a casa! Fala a mãe da aniversariante para as amigas aos suspiros. Mas isso logo passa, pois elas esquecem rápido das coisas quando falam de outras mais importantes ( ou não ), como por exemplo o capitulo da novela de ontem...

Finalmente chega a hora dos parabéns. Todos correm para a sala do bolo e cantam a musica mais conhecida de todas as festas: Parabéns pra você...Aplausos. e umas vaias dos garotos. Ela olha para todos muito feliz e sua mãe fala: Agora filhinha, feche seus olhos , faça um pedido e sopre as velhinhas! De imediato, a garota sobe e desce com a cabeça com positivo e sopra as velas. Gritos de alegria, com outras vaias dos garotos.

- E pra quem vai o primeiro pedaço minha filha? Indaga sinicamente sua mãe junto com suas irmãs, tias da menina, lógico. Ela olha para os lados, levando um pouco sua cabeça e diz: Cadê o papai? Silencio na sala. Papai? Sim. Cadê o papai? Esperava-se que ela entregasse para sua mãe ou suas tias que sempre a mimavam com brinquedos e viagens, mas a primeira pessoa que ela chamou foi seu pai. Papai? Adalberto? Minha filhinha! Ela o abraça e uma lagrima rola no rosto de ambos, ele a arvore e ala a semente. Garotas choram porque os garotos não paravam de rir. Talvez seja a idade. Talvez seja a vida que traça sua própria trajetória. Ali, onde Pai e filha olham para aquele bolo feito de açúcar,  ovos inteiros, umas  xícaras de farinha de trigo ,margarina, baunilha, recheio de leite Ninho ,uma  lata de leite condensado, uma lata de creme de leite, gramas de manteiga sem sal . tudo isso forma-se um bolo, uma forma de festejar a existência, mais um ano de vida. Então ela o beija e  agradece  por ela existir e diz que o ama.

13 comentários:

Tati disse...

Hmmm, acredito que esse post seja uma continuação de um conto ou romance, não sei ao certo, mas o sentimento entre pai e filha ficou bem legal.

Cuidado apenas com alguns erros gramaticais, mas a narrativa é boa!

Jéssica Moura disse...

Eu gostei muito viu?
Parabens pelo blog, não poderia deixar de te seguir.
Passa lá no meu, tenho dicas boas para presentear sua mãe.
www.jmphotosnet.blogspot.com

Letícia disse...

Que legal, parabéns pelo blog
gostei muito do texto... esceve muito bem... e deixa um blog legal para ler.

http://leticiaturtle.wordpress.com
visite meu blog... se ja comentou no ultimo post de uma passada nos próximos...também são legais

Fernanda Amylice disse...

Interessante, eu gosto dessas crônicas familiares. Soa leve, mas sempre nos faz lembrar ou pensar sobre alguns momentos de nossa própria vida.

http://fernandaamylice.blogspot.com/

Andre Mansim disse...

Vc escreve bem, hahahahaha me lembrei de várias cenas legais e chatas de alguns aniversários e de casa cheia de gente!
E reuniões de familia é tão bom né?

Robson Araújo disse...

confesso que reuniões de familia são sempre esquisitas, mas necessarias ( acho),,rs

Stela Guasti disse...

Muito legal...História linda!!!
Obrigada pela visita em meu blog...Estou te seguindo!!!

~Marina. disse...

Muito bom!
Adorei teu blog!
To seguindo!

http://pradistrairvc.blogspot.com/
&
http://antropologicamentefalando.blogspot.com/
Bjsbjs

Ewerton Macedo disse...

Massa! to seguindo.... se puder seguir o meu aê
http://papopensativo.blogspot.com

Pollyana C. disse...

Parabens pelo blog, adorei seus posts! Tô seguindo.. se quiser seguir-me tambem, será bem vindo!
:)

PapoBacana disse...

Nossa mais que lindo, gostei muito..

amei particularmente esta parte:

"..Como todos as festas ,a regra de sempre: Meninos de um lado, meninas de outro, mas isso não impedia de ambos se misturarem as vezes. Ainda na infância se tem amabilidade e uma certa inocência na pessoas, por enquanto..."

vc ecsreve de uma maneira muito gostosa de ler..

tbm escreve, se puder faça-me uma visita.

seguindo..

http://papiando-adoidado.blogspot.com

Carol Oliveira disse...

Primeiramente, devo dizer-lhe que escreves muito bem. A organização que fizesse dos acontecimentos ficou muito boa, passou toda uma imagem completa de como é um aniversário...
Quase nunca percebemos o quão damos importância a coisas fúteis. Adoraria ler um outro texto que o mesmo Adalberto, abraçasse a filha, Silvana sem motivos.. apenas por vontade. Não sei, mas me parece que nos últimos tempos, as relações tanto familiares como de amigos, estão frágeis, inseguras, apoiadas em um chão que pode desabar a qualquer momento.

OBRIGADA PELO COMENTÁRIO NO MEU BLOG!

Bj

PapoBacana disse...

Nossa adorei seu texto..
escreves super bem..
estou seguindo pq gostei muito..
se puder me visita e diga sua opniao sobre meus texto..

tenho uns rabiscos la..

abraços..